Já não sou novo para ser otimista ou velho para poder morrer.
Me resta viver e padecer a borda dos significados.
A realidade é um convento.
A imaginação é um refúgio.
Não restam muitas alternativas para quem tropeçou no real.
Viver apenas de obrigações e de responsabilidades é uma rotina penosa.
Fugir da realidade é perigoso.
Escrever pode ser um caminho para tentar escapar do precipício que me encontro.
Preciso servir de calmaria e de porto seguro para a minha família.
Das tempestades já não vivo mais.
A sobriedade vai me devorando lentamente.
É uma agonia perpétua.
Me acostumar é me conformar.
É afirmar que quase tudo pelo que lutei é inútil.
Muitos dos meus esforços foram em vão.
Legados custam caro.
Exemplos são personagens.
É melhor viver em silêncio.
É mais prudente não fazer nada do que fazer algo.
Não é uma questão de pessimismo.
É uma disposição interior irreversível?
É culpa da vida que me fez cético.
Medicamentos são esconderijos de problemas permanentes.
Nada mudará a fatalidade das coisas.

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