Parte II

“O coração tem razões que a própria razão desconhece”, dizia Pascal. O conhecimento humano é ampliado por esforço e criatividade na direção do saber. O melhor conselho que poderia dar para um escritor é viver. Ler, estudar e refletir são condições essenciais para o homem conhecer a si mesmo. René Descartes passou uma vida examinando a verdade. Para mim, o livro “Discurso do Método” é extremamente autorreferencial e biográfico. As ideias e o pensamento de Descartes são exprimidos sublimemente devido ao seu próprio aprendizado existencial. Escrever é um recurso essencial dos filósofos que procuraram organizar o mundo à sua maneira. Baruch de Espinosa nos fornece uma ideia radical da existência de um Deus não autocrático que abala a estrutura de todo um período. Os filósofos quase sempre tiveram ideais radicais e revolucionários. Questionar o status quo é tarefa rotineira para quem ouse pensar. Sem falar na revolução copernicana e nas consequências acarretadas disso.

Schopenhauer dizia: “Quanto mais claro é o conhecimento do homem, quanto mais inteligente ele é, mais sofrimento ele tem; o homem dotado de gênio sofre mais do que todos”. Diria que o homem de gênio tem um tipo de sonar amplificado da realidade, os seus sentidos são extremamente aguçados e sensíveis, podendo assim variar muitos canais e sintonias simultaneamente.

O papel da arte é expressar com qualidade o universo ensimesmado do criador. É por isso que é tão importante para os artistas e poetas ampliarem os seus vocabulários – para poderem revelar novas percepções da realidade.

Posso dividir a minha história em três etapas até o momento: na primeira, lutei para conseguir as condições do meu sustento; na segunda, dediquei-me à construção de uma obra plástica que representasse o meu universo simbólico; agora, estou me dedicando à organização do conhecimento que acumulei e lutando para preservar aquilo que já construí.

Organizar o conhecimento é uma forma de compreender o que sei e analisar o que ainda me falta estudar. Para poder preencher lacunas e construir o meu próprio edifício conceitual.

Os temas centrais dos meus interesses são de natureza ontológica.

Fiz recentemente a exposição “Ontologias” no FAMA Museu, com os artistas Cabral e Kandro, cujo tema apresentado é o ser humano.

Não posso deixar de citar a importância do pensador Nichan Dichtchekenian que me fez aprender sobre a Fenomenologia em Martin Heidegger.

Também apresentei em Brasília, no Museu Nacional, a exposição “O Poço”. As minhas influências artísticas nessa exposição foram: Caravaggio, Francisco de Goya e Giacometti.

O universo conceitual que estou construindo trilha o caminho do existencialismo. Os filósofos Heráclito de Éfeso, Kierkegaard, Nietzsche e Sartre são fundamentos importantes para a construção do meu caminho.

Leave a comment