Parte III

A complicada busca do ser no devir da existência e o meu reencontro com a arte

Não nascemos e não estamos prontos! Ninguém pode se dizer completo absolutamente. A construção da personalidade é uma necessidade diária. Não há entendimento que perdure sem esforço. A constituição do ser é um caminho árduo e solitário. Procurar, encontrar e cultivar o nosso centro existencial é uma luta diária. Da mesma forma que acordamos e fazemos as nossas necessidades básicas, devemos mergulhar diariamente em nosso ser. A personalidade nada mais é do que uma exteriorização daquilo que se encontra ensimesmado. Não é uma questão de não se preocupar com os outros. O processo de individuação, segundo Jung, é o caminho do sujeito para se transformar em uma unidade autônoma e indivisível, para o seu autoconhecimento, realização e convivência coletiva maior. Sartre contribui definitivamente para isso através da noção de liberdade e de responsabilidade. Não há como escapar das escolhas que fazemos em nossas vidas. Afinal, não há ninguém a não ser nós mesmos que escolhemos o que escolhemos. Viver com essa clareza, apesar de ser um peso, é extremamente libertador e transformador. O ser humano é incompleto por natureza, mas isso não deve ser a razão da nossa miséria. É preciso criar e inventar novos significados no cotidiano das nossas vidas. Se o preço da liberdade é a responsabilidade, o preço da felicidade é a criação – porque através dela conseguimos nos conectar com o que há de mais profundo e significativo em nossas vidas. Joseph Beuys dizia: “Libertar as pessoas é o objetivo da arte, portanto a arte, para mim, é a ciência da liberdade”.

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