Queria passar alguns conceitos fundamentais para o entendimento da ontologia, para o entendimento desse estudo, dessa ciência, dessa abordagem de conhecimento do ser humano. Eu dividi em algumas partes para a gente poder tentar abraçar uma parte maior da totalidade do ser. Conceito fundamental para entender o ser é o conceito do ser e o conceito do “ente”. O “ente” nada mais é do que a determinação do ser. Aristóteles vai dizer que o ente seria a atualização da potência, quando ele trabalha com o conceito de ato e de potência. E Aristóteles explica, dessa forma, a natureza do tempo. A atualização da potência ou de um desejo – se a gente puder usar esse termo freudiano – seria, digamos, a determinação do ser no ente. Acontece que o ente é algo temporário, é algo inacabado. O meu ex-professor – ex não porque uma vez professor, sempre professor – mas o artista Rubens Espírito Santo do Atelier do Centro tem um trabalho que eu gosto muito que ele diz que é a cabana inacabada que somos todos nós. Que tem a ver com isso, porque quando nós determinamos o ser, ele pode atualizar essa potência, mas ele continua inacabado na busca de um novo ente. Daí é importante entender, claro, Heidegger para compreender mais aspectos ontológicos. Quando ele trabalha na sua introdução à metafísica, a questão do Dasein, a questão do Ser-aí. O Ser-aí é algo dado, é algo que não foi uma escolha, mas sim um acontecimento. Esse acontecimento Dasein, é algo que todos nós temos que lidar com isso. Esse é o conceito do Ser-aí, do Dasein. E é importante compreender o devir, o vir a ser. O vir a ser é aquilo que nós nos tornamos a todo momento. Portanto o ser é algo que sempre nos escapa, o ser é fulgaz, o ser é algo…digamos… que o ser seja não capturável. Não é possível aprisionar o ser, o ser ele está sempre, de alguma forma, fugindo a nós mesmos. Isso é o que torna a ontologia fascinante. Também é importante compreendermos o conceito de obra temporária porque, como nós somos inacabados estamos sempre nos escapando de nós mesmos e quando nós, aí sim, nos deparamos com a morte, com a finitude, com a fatalidade das coisas e consequentemente com o fim do ente, isso traz para nós uma angústia. É o que Heidegger procura trabalhar no “Ser e Tempo” como aspecto fundamental do ser humano. A angústia é algo que nos caracteriza quando nós nos deparamos com a finitude das coisas. Uma outra abordagem importante da gente entender, como eu sempre digo, é recorrendo à filosofia antiga, os pré-socráticos. Parmênides principalmente trouxe para nós o conceito do universo sendo limitado, sendo finito e trabalhando a questão do ser e do não-ser. E consequentemente nos mostrando com clareza a finitude do ponto de vista conceitual. Isso também traz uma reflexão antológica, diferentemente de como sempre eu costumo citar, Heráclito que trata da questão do ser em movimento. “Não se pode entrar duas vezes no mesmo rio” diz Heráclito, porque quando nós entramos, a segunda vez, o rio já não é mais o mesmo, nós mudamos. Então esse processo de mudança recorrente é algo que me interessa na revelação do ser e da ontologia.

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