Li, certa vez, que mudamos quando já não conseguimos mais permanecer no mesmo estado. A mudança faz parte contínua da vida e, como dizia o filósofo pré-socrático Heráclito, “tudo flui” (panta rhei). Não se entra duas vezes no mesmo rio, pois, ao voltarmos, as águas já terão passado, e nós mesmos já não seremos os mesmos. Contudo, isso não significa que não possamos nos lembrar e até mesmo retornar a estados e disposições anteriores. Não se trata aqui de mérito ou de valor, mas de reconhecer que, se estávamos melhores com nós mesmos em outro momento, por que não buscar esse retorno?
Não basta estabelecer projetos e buscar conquistas que nos tragam satisfação, não pelo mero resultado da vitória, mas pela consciência do exercício de nossas capacidades. Ultimamente, tenho me importado cada vez mais em zelar por uma dieta equilibrada. Afinal, o metabolismo de alguém aos 40 anos já não é o mesmo de quando se tem 20. Cuidar da alimentação é uma condição fundamental para quem procura longevidade, e eu gostaria, no mínimo, de viver mais 40 anos.
Além disso, há a necessidade de praticar atividades físicas quase todos os dias, reservando um ou dois dias de descanso por semana. A saúde cardíaca é fundamental. Minha regra de ouro tem sido evitar açúcar, álcool e carboidratos. Permito-me, ocasionalmente, uma taça de vinho a cada dois ou três dias, como uma forma de relaxar e abstrair de mim mesmo, mas sem transformar isso em rotina ou prática diária que possa me distanciar do meu propósito.
Ao reler Ecce Homo, de Nietzsche, no qual ele reflete sobre por que é tão sábio e inteligente, encontro preciosas lições sobre o “bem viver”. É verdade que, poucos anos depois de escrever esse livro, aos 44 anos, ele sofreu um colapso mental. Para alguém tão lúcido, foi um golpe cruel do destino. Porém, o que importa não são os anos totais que vivemos, mas a qualidade deles e como escolhemos passar por aqui.
É natural que busquemos conforto e reconhecimento por nossos méritos, mas que isso não nos impeça de procurar novos caminhos para expandir nossas capacidades e linguagem. O exercício do novo e do inédito, mesmo que seja a partir de nossas próprias palavras, é o que há de mais interessante, especialmente para os artistas. Afinal, sua maior vocação é recriar a si mesmos, constantemente, abrindo caminhos para os que estão por vir ou para os que já nasceram.
Desejo que esse ciclo de renovação da vida, com sua busca incessante pela felicidade, seja o eixo que orienta nossas escolhas. Que possamos sempre encontrar novas formas de sermos e vivermos, na plenitude de nossa existência.

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