O que é a Arte?

Essa pergunta é a chave para uma das provocações mais intrigantes que alguém pode fazer a si mesmo ou aos outros. É, no mínimo, pretensioso tentar respondê-la de forma racional e objetiva, já que a arte transcende os limites do conhecimento humano, das nossas capacidades, noções e preconceitos.

Digo isso porque a arte, assim como nós, seres humanos, é mutável e está em constante evolução, refletindo nossas projeções, visões e expressões do mundo em que vivemos. A arte não se limita a imitar a natureza — esse limite foi superado há muito tempo. No aspecto ontológico, a arte busca revelar o ser humano para si mesmo de múltiplas maneiras, criando novas conexões, abordagens e entendimentos sobre quem somos.

Devemos, no mínimo, reconhecer que, através da arte, podemos compreender um pouco mais sobre nós mesmos. Os artistas, por sua vez, estão ocupados com suas criações: procurando singularidades, expandindo linguagens e ultrapassando barreiras impostas, criando algo novo, inédito, autêntico e revelador sobre quem são. Esses criadores abrem caminhos e fronteiras para que outros percorram os horizontes que lhes custaram tanto, impulsionando a humanidade para frente.

Leon Tolstói, filósofo e escritor russo, em seu ensaio do livro Os Últimos Dias, oferece uma abordagem humana e social sobre o papel da arte, afirmando que ela une as pessoas. Isso é uma grande verdade. A arte transcende barreiras e preconceitos, estabelece novos vínculos e reaproxima convívios rompidos. No entanto, paradoxalmente, a arte não se preocupa diretamente com isso. Sua essência é tão fluida e transformadora que perdoar já não é uma questão; a arte simplesmente se reinventa e esquece o que passou, criando algo novo a cada instante.

A velocidade de mudança na arte é tamanha que somente os artistas, na vanguarda de suas próprias criações, conseguem compreender minimamente o que isso significa. Isso não significa que apenas os artistas possam entender essas ideias. Joseph Beuys, artista e pensador, propôs uma visão democrática ao afirmar que “todo mundo é um artista”. Segundo ele, a arte é a ciência da liberdade, e essa perspectiva nos oferece um elo de humanidade tão poderoso que dissolve qualquer hierarquia. Coloca-nos todos em igualdade, permitindo que apreciemos a beleza da vida humana sem atribuir valor a julgamentos de “melhor” ou “pior”.

No geral, todas as faculdades mentais e chances de compreensão nos são dadas desde o início. Com isso, temos a oportunidade de explorar quem somos e para onde estamos indo. Não sabemos exatamente onde é ou como será, mas esperamos estar evoluindo…

Por outro lado, não podemos dizer que um pintor do Renascimento seja inferior, em termos de qualidade, a um pintor contemporâneo. Na verdade, pode-se argumentar que os pintores do Renascimento superam os atuais em muitos critérios. Isso nos leva a refletir se estamos realmente evoluindo ou, ao contrário, sucumbindo ao ritmo acelerado imposto pela tecnologia e pela contemporaneidade, que muitas vezes compromete a qualidade e a profundidade das relações e valores que nos são essenciais.

Mais uma vez, a arte surge como um meio para nos ajudar a responder a essas e outras questões. Não com respostas absolutas, mas através de fragmentos e pinceladas de algo que ainda está por vir.

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