Com Ronaldo Pereira à frente das Óticas Carol, o caminho para o crescimento da empresa se tornou mais claro, permitindo que eu me dedicasse mais ao rebranding da marca. Esse trabalho foi realizado em parceria com a agência do publicitário Sérgio Magalhães, mais conhecido como Serginho. Redefinimos a identidade visual da marca, tornando-a mais limpa e contemporânea. Até hoje, sinto orgulho ao ver a marca que criamos estampada nas fachadas das lojas das Óticas Carol.
Um dos maiores desafios que enfrentamos foi a expansão das Óticas Carol para outros estados. Antes disso, desmanchei um acordo de cavalheiros feito pelo Odilon com as Óticas Diniz, no qual eles não entrariam em São Paulo, e nós, no Nordeste. Motivado pela vontade de crescer — e talvez pela minha ingenuidade —, deixei claro ao pessoal da Diniz que, da minha parte, poderiam entrar em São Paulo quando quisessem. Na época, fui confiante, mas não havia preparado uma estratégia de expansão adequada. Hoje, com mais maturidade, certamente agiria de forma mais planejada. Esses aprendizados, no entanto, fazem parte do amadurecimento e nos ensinam a rir de nossos erros e aprender com eles.
Ronaldo, junto com Joaquim Oliveira, nosso diretor de expansão, foi fundamental nesse processo. Ambos foram extremamente habilidosos em firmar acordos com franqueados locais, transformando a Master Franquia em um pilar estratégico para as Óticas Carol. Graças à habilidade comercial de ambos, conseguimos converter várias óticas e suas bandeiras para as Óticas Carol, destacando nosso compromisso, profissionalismo e foco. Essa estratégia resultou em uma expansão territorial significativa, mais do que dobrando o tamanho da empresa em menos de dois anos.
Enquanto as Óticas Carol prosperavam, dediquei-me ao meu escritório de investimentos, percebendo a necessidade de reforçar o time para atender às demandas dos negócios. Nesse período, conheci duas pessoas fundamentais para o desenvolvimento dos meus projetos: Marco Cauduro, gestor de ações com uma trajetória vencedora, e Vitor Grümpeter Correa, um jovem inteligente que logo integrou nossa equipe como analista e cresceu significativamente por mérito próprio. Com Marco, criei a Arbela Investimentos, uma gestora focada no mercado de ações, com o objetivo de identificar e investir em companhias públicas e privadas que agregassem valor ao portfólio.
Com o tempo, o setor ótico começou a passar por um intenso processo de consolidação. Grandes players, como a Luxottica, buscavam verticalizar suas operações ao adquirir redes varejistas. Percebi que esse movimento tornaria o mercado mais competitivo, com margens comprimidas e pressões crescentes dos fornecedores. Para enfrentar esse cenário, convidei Marcos Feldman, reconhecido por sua habilidade em negociações, para nos ajudar a mapear oportunidades de venda. Após avaliar diversas opções, tivemos a chance de negociar com a própria Luxottica. Em uma viagem a Nova York com o Beto, ficou claro que a proposta deles nos limitava mais do que nos favorecia, deixando pouco valor para nós. Optamos, então, por buscar um parceiro financeiro com maior apetite ao risco. Essa decisão nos levou a vender a empresa para o fundo britânico 3i, que ingressava no Brasil, permitindo uma expansão ainda mais significativa e garantindo um excelente retorno sobre o investimento.
Os negócios na Arbela iam bem, mas o interesse de Marco estava cada vez mais voltado para a economia real. Não por acaso, pouco tempo depois, ele alcançou grande êxito nas iniciativas que abraçou, chegando a se tornar presidente da CCR, uma das maiores empresas do país. Enquanto isso, meus interesses culturais se intensificavam, e eu desejava dedicar mais tempo à minha carreira artística, afastando-me do dia a dia dos negócios. Nesse contexto, criei com Vitor a V2 Investimentos. Nessa nova estrutura, optei por ser apenas sócio minoritário e cliente da companhia, permitindo que eu me concentrasse na vida intelectual e na produção das minhas obras como artista, que pretendo compartilhar em outros relatos.
Quanto ao Beto, sua missão foi concluída com sucesso. Juntos, alcançamos todos os objetivos que nos propusemos, encerrando assim mais um capítulo da minha trajetória. Além de ser um excelente financista, Beto possui um profundo conhecimento artístico e desempenhou um papel essencial no início da minha coleção. Ele compartilhava histórias fascinantes sobre seu avô, que foi marchand de Ciccillo Matarazzo, um dos maiores mecenas e patronos da arte no Brasil. Essas histórias me motivaram a explorar e trilhar um caminho semelhante no mundo das artes.
Durante esse período, meus interesses por filosofia e cultura se aprofundaram, levando-me a buscar novos significados para a existência além das demandas cotidianas. Essa transformação coincidiu com o marco de vender a empresa e iniciar uma nova etapa em minha trajetória. Ao refletir sobre minha jornada, percebo o papel essencial das pessoas que estiveram ao meu lado. De certa forma, as pessoas de que precisei sempre estiveram ali, dispostas a ajudar. É reconfortante saber que existem tantas pessoas comprometidas em crescer e colaborar, oferecendo aquilo que buscamos. Quero expressar minha gratidão a todas as pessoas que, de alguma forma, contribuíram para os meus aprendizados, meus negócios e os caminhos que trilhei. Embora não possa citar todas, minha gratidão a elas é eterna e para sempre estarão em minha memória.

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