Um Caminho pela Arte (Ep.1)

Com a venda das Óticas Carol e a estruturação da V2 Investimentos, passei a ter mais tempo para ampliar minha coleção de arte, desenvolver minha carreira como artista plástico e construir os pilares da Fundação Marcos Amaro (FMA), que mais tarde daria origem ao Museu FAMA.

Minha trajetória artística estava apenas começando. Dediquei-me a estudos, pesquisas e criações, iniciando no ateliê que batizei de DasBanker, no Itaim. Lá, realizei a exposição Extemporâneo, que explorava a interseção entre meu lado empresarial e artístico. Em seguida, criei o Espaço Húmus, um ambiente concebido para expandir meus relacionamentos e minha produção artística, como mencionei em um relato anterior, no qual homenageei meu professor de filosofia, Donizete Soares.

O nome Húmus carrega uma simbologia rica. Está ligado à humildade e à fertilidade da terra, de onde a vida brota. Esse espaço foi essencial para nutrir minha visão artística e criar conexões significativas com dezenas de artistas que, mais tarde, contribuiriam tanto com minha coleção quanto com a Galeria Kogan Amaro, que surgiria dessa trajetória.

A história da galeria começou de forma inesperada. Eu mantinha uma amizade com a galerista Juliana Freire, da Galeria Emma Thomas, que, após uma década de trabalho notável, enfrentava um momento delicado. Reconheci o valor imenso do trabalho que Juliana havia construído: uma galeria na Rua Estados Unidos, com uma estética única e artistas excepcionais.

Percebi ali uma oportunidade de unir minha experiência empresarial à paixão pela arte, criando algo que expandisse e valorizasse ainda mais o legado que ela havia iniciado. Como o trabalho em uma galeria de arte é altamente pessoal, decidimos colocar nossos sobrenomes, o meu e o de minha esposa, Ksenia Kogan, à frente da galeria, refletindo nossos valores e a essência que queríamos transmitir.

A Galeria Kogan Amaro nasceu com um cartel que representava visões de mundo que nos interessavam, apoiado por uma curadoria cuidadosa de artistas em cujas obras acreditávamos. Para garantir uma estrutura profissional sólida, trouxemos Marlise Corsato, com vasta experiência em museus e galerias de renome. Contamos também com Ricardo Rinaldi, que já havia trabalhado comigo no Espaço Húmus e trouxe sua expertise adquirida na Galeria James Lisboa. Tenho uma relação especial com James, que foi o primeiro a me introduzir no mercado de arte, apresentando-me obras significativas que até hoje integram minha coleção.

Foram cinco anos de trabalho intenso até alcançarmos destaque entre as principais galerias de São Paulo. Localizada na Alameda Franca, tivemos a oportunidade de realizar exposições marcantes com os artistas que representávamos. Entre alguns exemplos estão as mostras de Mundano, Nazaré Pacheco e Márcia Pastore, além de outras memoráveis, muitas delas sob a curadoria de Ricardo Rezende.

Ana Carolina Ralston também teve uma contribuição importante, trazendo nomes de grande relevância, como Daniel Mullen e Samuel de Saboia, que enriqueceram nosso projeto.

Nosso trabalho se expandiu além do Brasil. Estabelecemos dois endereços na cidade de Zurique, Suíça, onde realizamos exposições significativas, como a de Nuno Ramos, além de mostras que celebraram o Modernismo Brasileiro, com obras de artistas concretos, Flávio de Carvalho e Sérvulo Esmeraldo.

Essas exposições, tanto no Brasil quanto na Suíça, marcaram profundamente a trajetória da galeria e proporcionaram memórias inesquecíveis que levaremos para sempre.

Peço desculpas por não citar todos os artistas que fizeram parte dessa jornada, mas cada um deles foi essencial para o trabalho que realizamos. Sou profundamente grato pela confiança que depositaram em nós ao longo desse período.

Hoje, mantenho a conta da @galeriakoganamaro aberta no Instagram como um registro do belo trabalho que realizamos. Essa é a minha forma de honrar essa história e os momentos marcantes que construímos ao longo dessa trajetória.

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